Este Sábado acordei com uma vontade tremenda de, finalmente, comprar umas botas e calças decentes para os passeios fora de estrada.
O equipamento que andava a usar da cintura para baixo, nomeadamente as calças e botas, eram oriundos da estrada, sendo, naturalmente, limitados e inadequados para estes passeios mais aventureiros.
Saí de casa e parei no concessionário Honda local, a Equipo, onde me apaixonei de imediato por umas calças Acerbis Baggy Moto Korp, bem como umas botas da mesma marca, as Graffiti:

As botas apesar do seu aspecto algo irreverente e até estranho, são muito bonitas ao vivo:

Após uma breve conversa com o funcionário, o mesmo apresentou-me um preço irrecusável pelos 2 artigos e sem pensar em mais nada, comprei-os de imediato
O meu OBRIGADO à Equipo pelo excelente preço
Claro que a vontade de estrear este material era muita e decidi aproveitar o excelente dia de sol que estava para testar os novos artigos.
Como nunca tinha tido umas botas 100% TT, estranhei de imediato as mesmas, dado que se perde muita sensibilidade e o tacto torna-se estranho.
Apercebi-me de imediato que tinha que haver uma adaptação ao “feeling” deste tipo de botas e não convinha fazer um passeio por percursos muito díficeis, de forma a poder adaptar-me às mesmas, sem pressas ou incidentes.
Resumindo, parti para as Sete Cidades, para efectuar os trilhos que vão desde as freguesias deta zona até às Sete Cidades, os quais são trilhos simples, acessíveis e com algum estradão.
Nos primeiros kms, foi tudo muito estranho, quase não sentia o pedal do travão traseiro e, muitas vezes, ou travava a menos ou travava a mais.
O pedal das mudanças também passou a ser um estranho, ou seja, estava numa posição muito baixa para este tipo de botas e andava a falhar o engrenamento de mudanças várias vezes.
Em suma, os primeiros trilhos estavam a ser desastrosos, com muitos erros de pilotagem. Eu parecia pior do que alguém que vai para o fora de estrada pela primeira vez…
Tive que parar nos, no miradouro da Ferraria, para me recompor e esquecer os primeiros kms, os quais foram um autentico martírio.

Verifiquei que as obras de reabilitação da zona balnear termal da Ferraria encontram-se em bom ritmo e já se nota que as mesmas poderão estar a terminar:

Recomposto, voltei aos trilhos, com um piso super seco e solto:

Cada vez que olhava para baixo, sentia-me estranho, pois usar botas de TT era um mundo novo para mim e que estava a ser de díficil adaptação.

Contudo, com o passar dos kms as coisas começaram a melhorar e, progressivamente, comecei a habituar-me ao “feeling” das botas e a conseguir tirar mais partido das mesmas, apesar das mesmas ainda estarem a condicionar muito a minha condução.
Mas a coisa estava a melhorar.
Os ilhéus dos Mosteiros ao longe:

O dia estava magnífico, ou seja, não estava excessivamente quente e para qualquer lado que fossemos não havia qualquer nebulosidade.

Quanto às calças da Acerbis, as mesmas assentaram que nem uma luva e estavam a cumprir bem com o seu papel, permitindo muita liberdade de movimentos, quer fossemos de pé ou sentados.
Mesmo com as joeilheiras por baixo, não havia qualquer incómodo.
Boa compra!
Continuei a subir em direcção às Sete Cidades, sempre num piso muito seco e solto.
Estava a ser um gozo atravessar a traseira da LC8 em aceleração.

No entanto, achei que estava na gora de ajustar o pedal da caixa de velocidades, dado que quando conduzia de pé estava a sentir muitas dificuldades em passar de caixa e tinha que baixar muito o pé para o fazer.
Sentado disfarçava, mas de pé não e a condução estava a sair prejudicada…

Depois de ajustar o pedal, entrei nas Cumeeiras:

Uma vez mais o deslumbramento total…


Em dias de sol, as Sete Cidades são qualquer coisa de fantástico e vistas das Cumeeiras, ainda melhor!

Que coisa mais linda!!!

Bem, quando estamos nas Cumeeiras e olhamos no horizonte e percebemos que temos pela frente um belíssimo trilho de montanha, só apetece “disparar” em ritmo contra-relógio.

E foi exactamente isso que fiz, ou seja, fiz o restante percurso em ritmo de corrida, onde tudo me corria bem, desde o curvar, travar ou mesmo controlar a mota nas zonas mais irregulares.
Sem dar por nada, a sensação de estranho que as botas me causavam já tinha praticamente desaparecido e eu estava a curtir os trilhos e a mota sem que as botas me incomodassem.
Houve uma ou outra situação que falhei a passagem de caixa ou travagem, mas já estava a ser menos frequente.
Já estava a gostar mais das botas.
Paragem no miradouro Vista do Rei:

O entusiasmo era tanto que quase não parei e decidi fazer as Cumeeiras no sentido inverso, mas com um objectivo, tentar ser um pouco mais rápido.
Claro que ia ser díficil, especialmente com paisagens destas pelo caminho:


Mas consegui ser mais rápido que a primeira passagem e até fiquei surpreendido comigo mesmo, visto que nunca pensei andar de forma tão “diabólica” nas Cumeeiras como andei neste dia.
É a LC8, faz-nos parecer o Meoni por breves momentos…
E seguiram-se mais alguns trilhos, um pouco mais lentos:


Também atravessei o percurso que serve de acesso ao caminho dos 3 kms, de forma a poder disfrutar do piso arenoso que lá existe.
Adorei!!!



Seguiu-se as Cumeeiras de cima, em direcção à freguesia da Covoada, onde as paisagens continuaram a ser de cortar a respiração:




Algumas partes do percurso apresentavam sinais de derrocada, havia que ter cuidado…

Palavras para quê???

De salientar que por esta altura as botas já quase não incomodavam, apesar de lá de vez enquando cometer alguns erros…


Passagem pela Covoada:

De regresso a Ponta Delgada através da freguesia da Covoada, parei na zona do cascalheiro, onde me diverti um pouco com o piso mole dos percursos existentes neste pequeno “playground”.

Hehehe…, quando os nossos passeios não têm água, até estranhamos


Para terminar o dia em grande, passagem pela Rocha da Relva, para assistir a um lindo por do sol:

O passeio não podia ter terminado de forma melhor!
Foi um passeio muito agradável e que me ajudou muito na adaptação às botas de TT.
Nunca pensei que fosse sentir tantas dificuldades a adaptar-me a este tipo de botas…
Contudo, reconheço as vantagens em termos de funcionalidade e segurança e as mesmas são para continuar a usar, sem dúvida!
Quanto às calças, um espectáculo!
Boas Curvas!
