Alpes e Mediterrâneo 2010
PreliminaresEste 2010 tem sido um ano muito instável para mim, muitas mudanças, muitos planos furados, muitos azares, algumas alegrias.
2010 começou com a ideia de um projecto de viagem ambicioso, que logo após o primeiro mês do ano foi por agua abaixo devido a mudanças profissionais.
A partir desta mudança foi tudo uma montanha russa, ao estilo Barrocal Algarvio.
Chega Maio, e surge uma hipótese de realizar uma viagem, umas férias, numa janela de tempo algures por Julho, com a duração de 3 semanas, algo que nunca me tinha sido possível executar. Tendo em conta a frágil situação laboral, muito foi colocado em causa. Muitos Se’s. Muitas dúvidas. Decidi arriscar e o projecto foi para a frente. E ainda bem.
A RotaBem, luz verde à ideia e para onde vamos? Ha que olhar pro calendário, ver o que se passa pela Europa, sublinhar os sítios que são interessantes e ainda não visitados, escolher pelo coração e depois olhar a razão para ver se é possível.
A Marisa à muito que queria visitar Veneza. Eu sonhava passar em Garmish e Munique, aproveitar os 10 anos dos Motorrad days e os 30 anos da GS. Depois ambos queríamos descansar um pouco, e para isso, seria ideal ter praia.
Entre Veneza e Munique, os Alpes parecem-nos muito bem. A possibilidade de fazer GlossGlokner e Stelvio mais uma vez, é emocionante para qualquer motociclista.
Primeira parte resolvida. E praia? Bem, começo a olhar para o mediterrâneo e surge a Córsega e a Sardenha. Pesquiso, vejo imagens, faço perguntas a amigos que já estiveram nestes sítios. Como não da para ir aos dois lados, aposto na Córsega e fica o percurso fechado.
Assim, o percurso planeado (e realizado) ficou por:
Dia 26 – Torres Vedras – Madrid
Dia 27 - Madrid – Barcelona
Dia 28 – Barcelona – Genova (ferry)
Dia 29 – Genova – Costa Liguria – Bolonha – Veneza
Dia 30 – Veneza
Dia 1 – Veneza – Glossglokner - Munique
Dia 2 – Munique
Dia 3 – Munique – Garmish
Dia 4 – Garmish – Stelvio – Brescia – Sestri Levante (Costa Liguria)
Dia 5 – Costa Liguria e Cinque Terre
Dia 6 – Sestri Levante – Pisa – Livorno – Bastia (Corsega via ferry) – St Florent
Dia 7 – St. Florent – Cap Corse – St. Florent – Saleccia – St. Florent
Dia 8 – St. Florent – Bastia – Boniffacio – Ajaccio – Corte – St. Florent
Dia 9 – St. Florent
Dia 10 – St. Florent
Dia 11 – St. Florent
Dia 12 – St. Florent – Bastia
Dia 13 – Bastia – Nice (ferry) – Girona
Dia 14 – Girona – Madrid
Dia 15 – Madrid
Dia 16 – Madrid – Torres Vedras
O GPS marcou 6125km, mas foram mais, muitos kms de túneis, e percursos não contabilizados na Córsega, mas penso que não fui alem dos 6250kms.
Modelo de ViagemQuem já me conhece sabe que as viagens que tenho feito tem uns factores comuns. Campismo e comida fora de restaurantes.

Há que poupar, senão não há viagem. Alem disso é um modelo que nos agrada e que portanto não é uma tortura (senão não haveria viagem, mais uma vez).
Parti com um orçamento a rondar os 150/170e diários (21 dias), incluindo imprevistos e situações que pudessem obrigar a uma mudança de planos.
Neste momento e após fazer contas o valor final baixou para 120e diários (tudo incluído, 21 dias). Contudo só foi possível com espírito de sacrifico e gosto por viajar nos moldes que escrevi la em cima.
Nos últimos dias, já fora da Córsega, e como fazia contas diárias aos gastos, foi-nos possível relaxar mais um pouco, ficar duas noites em hotel (Best Western e Ibis) e comermos uns mimos em restaurantes.

Apostei forte em me equipar ainda melhor antes de arrancar sobre tudo ao nível das condições para cozinhar, fogão novo com conjunto cozinha, e decidi viajar com comida atrás, para poupar ainda mais. Assim um dos sacos que levei em cima das malas laterais ia cheio de comidinha (que mto nos safou em diversas ocasiões).
A Fiel Companheira:Foi possivelmente a viagem que fiz em que a GS ia mais carregada. A frente fica um pouco instável, especialmente se abusarmos nos arranques e na velocidade em AE.

A configuração da carga era a seguinte:
Mala lateral 35litros: roupa RA, incluído sapatos,chinelos,toalhas, bolsa higiene e primeiros socorros, impermeáveis e forro térmico.
Anexo à mala levava 1 litro agua potável + 0,6l Gasolina (botija fogão)
Saco sobre a mala: comida com fartura, desde massa,arroz,alguns enlatados,azeite,temperos, cafés,chá, leite chocolate,etc.
Mala lateral 41 litros: roupa MB, incluído sapatos,chinelos,toalhas, impermeáveis e forro térmico.
Anexo à mala levava 1,5 litros óleo para GS.
Saco sobre a mala: 1 saco cama, 2 colchoes, 2 almofadas
Top case 60litros: Tenda, 1 saco cama, fogão, bolsa com mapas, carregadores, guias,etc, 2 bancos pequenos, chapa para fazer mesa, detergente roupa e loiça, extensão eléctrica e ainda sobrava espaço para uma camisola da Marisa (as moças tem sempre frio), maquinas fotográficas e carteiras com documentos.
Durante estes dias todos apenas me pediu gasolina, e ja a chegar a Madrid fiquei preocupado com uma mancha, que após ter enviado fotos para Portugal, me descansaram que seria apenas um retentor do fole da caixa ja a dar o berro, nada de grave. No meio da Córsega, passei a barreira dos 50mil Kms. Para comemorar comprei-lhe mais um extra. Um chapéu de sol, que ela adorou trazer ate Portugal.


De notar o seguinte: arranquei com uns pneus que tinha posto aos 42mil kms, um par de Tourance. Neste momento, e com mais de 52mil kms, o da frente ta a metade e o de trás, apesar de ja um pouco gasto devido à travessia do deserto, ainda faz mais uns qtos mil.
Tenho de agradecer ao Luis Ricardo e à Luisa Cidra por mais uma vez nos emprestarem os seus bancos modificados da GS e por todo o apoio que nos deram. A vossa ajuda conta muito para nós.
Viagem
Dia 26 – Sábado.O primeiro dia não tem grande história. Só tínhamos ferry na 2ªfeira em Barcelona, logo resolvemos ir nas calmas. Primeiro destino Madrid, onde ficaríamos em casa do meu amigo Vojin, nos arredores de Madrid. Tinha planeado sair cedo, mas embora tivesse carregado a mota no dia anterior, acabamos por só sair as 9h30 de Torres Vedras. Primeira paragem foi em na AE6, AS Torres Novas. Dai só voltei a parar à saída de Mérida e depois ao km160 da A5 Espanhola. Ja tínhamos comunicado com o Pedro (Paco), que em conjunto com a Margarida estavam igualmente a sua viagem até ao centro da Europa. Aproveitamos para nos encontrar ai e rolarmos juntos ate Madrid. Soube bem ter companhia tuga naqueles 200km. Mais à frente voltaríamos a nos encontrar, desta vez em Garmish, pois também eles iriam lá estar.
O dia tava de calor e as paragens foram sobretudo para atestar e refrescar um pouco.
De notar que também no país vizinho se nota os efeitos do Inverno chuvoso. A paisagem estava bem mais agradável que em outros anos, muito mais verde.
Chegamos as 17h locais a casa. Ainda esperamos um pouco pelas chaves, pois tínhamos a casa por nossa conta e o porteiro/segurança fez uma pausa para ir ver o Uruguai jogar. La nos instalamos e não fizemos mais nada o resto do dia, a não ser boa vida. Deu pra retemperar as energias gastas nestes primeiros 735kms. No dia a seguir arrancamos para Barcelona.

Dia 27 – DomingoArrancar a custo, as pernas pareciam adormecidas. O tempo ameaça chuva, ainda apanhamos piso molhado mas nada de pingos. Até á hora de almoço foi agradável, paisagem verde, passamos Zaragoza onde fiz uns bons kms na AE2 atrás de um companheiro espanhol numa Yamaha que foi uma boa companhia. A partir daqui o calor aperta. Começamos a passar por uma LT tuga nas paragens que íamos fazendo e vice versa. De Zaragoza para norte largamos a AE e vamos por nacional ate Barcelona. Sempre que vamos a Barcelona e acampamos ficamos sempre no mesmo sitio. “Camping 3 estrellas”, a sul do Aeroporto, mesmo junto ao mar. Temos gostado sempre do sitio, boas instalações e sobretudo tenda mm ao pé do mar. Como chegamos “cedo”, e tava calor, nada melhor que uma banhoca de mar para relaxar. Esta foi a primeira noite onde cozinhamos, compramos carne no supermercado e com umas massinhas chinesas la se fez um bom petisco. E lá adormecemos ao som dos Airbus e afins...



Dia 28 – 2ª feiraComo o ferry era só as 15h, atrasamos ao máximo a nossa saída do camping. De manha fomos ate à praia e aproveitamos para fazer uma caminhada à beira mar. O extenso areal é ideal, pena as pedrinhas que de vez em quando nos metiam a fazer figuras parvas. Deu para ver umas casinhas muito interessante à beira mar e sonhar com a viagem que tínhamos pela frente. Tudo arrumado lá partimos para o Porto de Barcelona. Chegamos ao 12h. Estacionamos ao lado de umas BMW tugas e fomos ver as vistas. Entretanto chega mais pessoal tuga, com algumas caras conhecidas. O grupo do BMWMCP também estava de partida no mesmo ferry que nós. Por fim la conhecemos o casal da LT que nos tinha avistado no dia anterior, também eles iriam a Garmish, mas fora de “organizações”. Muito porreiros.
Petiscar qq coisa antes de entrar no ferry, e la fomos nós para o barquinho. Experiência nova para nós pois até aqui tínhamos viajado sempre sem recorrer a este tipo de transporte. Devidamente instalados, houve lugar a uma siestazinha. Depois, bem depois foi tar na palheta com os tugas, motas, viagens, motas, viagens... até às tantas da noite. Os preços das coisas nos ferrys são um abuso. Mas la teve de ser, não podíamos ficar sem comer nem beber... (sai facada no orçamento).
Esta travessia permitiu-nos chegar a Itália pela fresquinha, com uma boa noite de sono e prontos a devorar kms.






Dia 29 – 3ªfeiraChegamos a Génova as 9h30. Sair e não sair, la-se demorou um bocado. Xau amigos tugas e toca de seguir pelo caos italiano. Fizemos nacional até Sestri Levante (onde voltaríamos uns dias mais à frente). Curvinhas, serra, sobe e desce, transito, praias, transito e calor, calor com fartura. Perdemos um bom bocado de tempo naquelas nacionais. Como tínhamos de chegar a Veneza, passando pela Ducati em Bolonha decidi entrar nas AE’s Italianas. De Sestri ate Parma a AE tem mtas curvas, mtos túneis, especialmente na zona junto à costa que é montanhosa. Temperatura mais agradável. Soube bem rolar num ritmo mais vivo. De Parma para Bologna volta o calor. Chegamos à ducati e visitar museu so com marcação... enfim. Fica pra outra vez. La fui até a loja, pois tinha prometido a um grande amigo uma lembrança. Ainda deu pra tirar uma foto ao lado da 60.000,00€ bike. Fomos mto bem recebido na loja, devem ter estranhado um gajo de uma GS ter la ido fazer uma visita. Eheheh. De Bolonha toca de zarpar rumo a Veneza. O camping que tinha escolhido ficava em Mestre, num sitio muito tranquilo, familiar, com a particularidade de ter supermercado, e paragem de autocarro directo para o centro de Veneza mesmo à porta. Aqui dei valor ao GPS, se não o tivesse andaria horas à procura do camping, pois aquela zona estava cheia de zonas em obras juntamente com o típico caos italiano. O camping era efectivamente calmo. Tinha pouca gente e o ambiente era o mais familiar possível. Estava muito calor e a humidade do ar estava muito alta. Enquanto montamos tenda e organizamos coisas para jantar fomos comidos por melgas. Nem o repelente nos safou. Fomos literalmente atacados e quando fomos dormir era comichão por todo o lado. Esta seria uma das piores noites da viagem, pois eu não me dou muito bem com o calor à noite, acordando imenso, indo ao wc pra refrescar, etc.... a cara da Marisa de manha dizia tudo.
No meio disto tudo ainda vimos quase sozinhos Espanha dar uma lição a Cristianos Ronaldos. Tristeza. Engraçado que vivemos o Mundial em sítios diferentes, com cores diferentes, pessoas diferentes, energias diferentes.... até à Córsega foram sempre experiências engraçadas ver as outras culturas vibrar com o futebol, cada uma à sua maneira.





Dia 30 – 4ªfeiraAdormecer com calor, acordar com calor.... e claro com melgas. Ali era o dia inteiro melgas. Equipar modo turista, deixar mota no camping, comprar bilhetes de autocarro (vendia-se no camping a 2,20€ ida e volta, por pessoa, mt bom preço no meu entender) e la fomos nos explorar Veneza a pé. Foi mto interessante. Adoramos conhecer as cidades a pé. Os labirintos, as ruelas, os canais, os edifícios, ate chegarmos a Ponte de Rialto, estávamos numa Veneza quase sem turistas, adorei. Dai pra frente foi entrar na confusão. De qualquer maneira não deixou de ser interessante. Subiu-se à torre da Praça S. Marcos, com uma vista fabulosa, compramos bilhete diário do vaporetto e andamos pra tras e para a frente nos canais, fomos ao Lido e às praias. Foi um dia diferente e muito engraçado. Decidimos não andar de gondola pois os preços são de doidos para aquilo que oferecem (ahhh claro e estragava o orçamento, eheheh). Regressamos ao camping quase à noite.









Dia 1 – 5ª feiraArrumar bem cedo pois o dia é longo. Arrancamos de Veneza em direcção à Áustria, quase sempre por AE. Mesmo quase a entrar na Áustria, e enquanto estamos parados numa AS, chega um casal dinamarquês numa RT, vindo do sul de Italia. Dois dedos de conversa, umas fotos e ate Garmish. Queria passar no GlossGlockner e aproveitar o bom tempo. Da ultima vez que la tinha estado não via um palmo à frente da cara. Entro nas nacionais e sinto-me mesmo bem, é um prazer enorme rodar naquelas paragens. Somos tão pequenos no meio do cenário natural que nos rodeia. Começo a subir Gloss e o tempo ta ideal. Sol, 15ºC la em cima, ainda alguma neve e finalmente vejo o que perdi à 2 anos atrás. Aquelas paragens enchem-me de satisfação e emoção. Apesar da vontade de permanecer ser grande, o relógio não parava e tinha de me fazer à estrada pois tinha de chegar a Munique nesse mm dia. A seguir ao Gloss e ate entrar na Alemanha foi só nacional. Às tantas começo a ver pessoal a fazer-me sinal de luzes. La vejo a policia à beira da estrada e sou mandado parar. Depois de levar uma descasca em língua local e de ter dito vezes sem conta que não percebia o que me diziam la se convenceram que era de outro planeta e começaram a falar cmg num inglês mal amanhado. Tinha sido controlado uns kms antes por um radar pistolinha (o gajo devia tar atras da arvore pois nem o vi) numa zona de 80 (daquelas zonas de 80 onde so ha rectas e vaquinhas a pastar de um lado e outro da estrada), onde eu rodava a 121.... portuguese, special prize...35€ (nada mau). Ainda ficamos um bocado na conversa e la trouxe um papelinho rosa como souvenir (não pesco nada do que la tá escrito). Dali até Munique não ha grande historia, segui meio irritado e à caça de pistolinhas pelo caminho. Acabou-se a Áustria e entro na Alemanha direitinho à AE. Chego ao camping quase ko e ja em horas tardias. O camping fica na zona de Obermenzing, ai a uns 10kms da BMW. Boas instalações, relvinha, fresquinho q.b.. Foi uma noite para recarregar baterias, que soube mm bem... a noite seguinte já não seria assim...












Continua.....