Aqui fica o testemunho de alguém pouco experiente em areia, mas que curtiu à brava. Amanhã ou isso logo falo sobre domingo.
Este foi o passeio da areia sem dúvida: mal saímos do parque de campismo, atravessamos a estrada e já estamos metidos em areia.
Como alguém já disse, era para voltar à direita mas houve imensa malta que foi em frente e numa rampa maior deu logo para ver o que me esperava. O que valeu foi a ajuda do Nuno Dias, para ajudar a puxar a burra no ultimo metro da subida.
Mais à frente, vou com fé a dar pau por fora do caminho com o Nuno Dias atrás de mim, começo a medir ao longe a distância entre os vários pinheiros, escolho uma passagem que me parece dar e toca de dar pau para não parar no subida. Infelizmente a medição ou pontaria foi errada, que dou com um punho da mota num pinheiro e sou baldeado para fora da mota. O que vale é que mais uma vez o Nuno vinha comigo e lá me ajudou a levantar a montada.
Apesar das quedas, como o chão é fofo e a velocidade não era muita (apesar de parecer a quem ia a conduzir) não me aleijei e por isso continuei feliz da vida a curtir.
Devido à chuva, a areia estava pouco solta, facilitando a progressão...pelo menos às primeiras 5 motas que passavam no caminho. A seguir, o resto da malta já penava um bocado.
Fiquei com a ideia que se por um lado o facto da areia estar molhada facilitava a mota andar sem se afundar tanto, por outro, por vezes causava algumas quedas interessantes, pois quando íamos dentro de um rasgo era mais difícil sair dele por a areia estar mais compacta.
Passadas as primeiras centenas de metros, a malta reagrupou-se e volta a dar pau. Desta vez apanhámos umas rectas interessantes, às ondas (cerca de 3m de largura por 1m de altura) que se por um lado tornavam a coisa engraçada por outra quando a malta se entusiasmava muito já ia aterrar na seguinte em dificuldades, sobretudo quem tinha uma montada mais pesada como eu.
A seguir atravessamos a estrada e toca de entrar novamente na areia, aqui nesta fase a malta já tinha entendido mais ou menos a mensagem de que era preciso andar com ritmo constante por forma a evitar ficar preso; de qualquer forma isso nas rectas funcionava, o problema eram as curvas, que ainda por cima já estavam bem cavadas.
Mais para a frente, apanhámos uns trilhos largos, por baixo de linhas eléctricas e/ou por cima de gasodutos, com cerca de 20m de largura em que a malta abusava um pouco mais com a velocidade...lembro-me de a certa altura pensar cá para mim que aquilo até estava a correr bem, após vários kms tinha a reportar 2 quedas, uma delas em curva e 2 atascanços, estava à espera de pior, ainda por cima com o pneu de trás meio careca e com os pneus com a mesma pressão com que tinha vindo na estrada no dia anterior.
Findo estes trilhos largos, a malta reagrupa-se toda junto à fábrica para curtir mais um pé de água valente antes de seguir viagem. Contornamos a fábrica e começamos a aproximar-nos das dunas. Aqui começam a desaparecer os pinheiros e passados os primeiros kms, começa-se a notar a areia mais solta.
Nesta fase seguimos um caminho atrás das dunas primárias, que vai serpenteando, mas que permite a quem quer fugir ao mesmo e ir por fora aproveitando as aberturas entre as moitas que por lá se encontravam. Aqui custava mais a progredir, era exigida força constante de braços no volante de modo a garantir que a roda da frente se mantinha a direito. Lembro-me de pensar a certa altura de alguns cenários no Dakar em zonas de fesh fesh, onde a malta vai a curtir mas tem que ir com atenção pois de repente a coisa pode azedar.
Segundo me lembro, desde a fábrica até ao parque de estacionamento junto à praia consegui fazer tudo sem ficar preso; até ajudei alguma malta a levantar as motas e desatascar.
Finalmente, chegámos ao parque de estacionamento. Penso que foi este o ponto onde a malta se agrupou toda pela última vez...o problema era daí para a frente.
A partir daqui a coisa tornou-se preta devido a uma grande diferença: o caminho era igual ao que tínhamos feito até aí, o problema era que o matagal e as dunas impossibilitavam à malta fugir do pseudo-caminho existente e por isso tinha que ir em constante equilibrio num caminho com cerca de 4m de largura, com constantes curvas apertadas que dificultavam muito o ganhar de velocidade; além disso, como toda a malta estava a passar pelo mesmo caminho começavam a aparecer as raizes das moitas por baixo do caminho, o que fazia com que a malta fosse a progredir em esforço e de repente o pneu de trás ganhava tracção e depois era conforme a sorte, umas vezes a mota disparava para a frente, outras vezes disparava para o lado e outras ainda quando o caminho estava muito escavado prendia de repente o pneu atrás da raiz e toca de fazer força para não ser ejectado pelo parabrisas.
A somar a isto tudo, já estávamos a andar aí à cerca de 4h e o cansaço começava a aparecer.
A certa altura já me lembro que volta e meia, sem saber como, ia parar a cima
das mini dunas que acompanhavam o caminho, umas vezes aterrava bem outras ficava preso na areia e outras ainda ficava preso no raio das moitas, que tinham galhos grossos como o caraças.
Com todas estas peripécias, basicamente a cada 100m caia, deixava a mota cair, ficava atascado ou tinha que parar para descansar.
O que vale é nesta fase ia acompanhado com o Paulo Big e o Nuno Dias, que me iam ajudando a progedir. Obrigado malta

Sem vocês acho que só tinha saído de lá de helicóptero.
Tanto era o esforço para avançar e o cansaço já acumulado, que a malta decidiu arranjar uma escapatória, que infelizmente não podemos referir aqui.
Com esta escapatória conseguimos avançar depressa até ao café em Pedrogão onde já os da frente tinham a barriguinha cheia de sandes, tostas mistas e afins.
A malta aqui comeu e os que ainda não tinham desistido voltaram a reagrupar para irmos para ver as famosas mamas. A partir daqui, a pedido da malta, foi traçado um caminho muito mais acessível, com grandes rectas planas pelo meio do pinhal que deu para colocar sorrisos na cara da malta outra vez.
Assim, passados alguns kms de curtição eis que chegámos às famosas mamas e que mamas; um par riginho quanto baste, com uns bicos assanhados apontando para o céu que até fizeram vários de nós arranhar para lhes chegar aos píncaros.
Aqui, apesar de grande insistência de alguns membros e motas, pelo que lembro apenas 2 bravos conseguiram chegar lá encima, como alguém já referiu. É de referir igualmente a tentativa do Barroso, que perto de chegar lá encima, foi altruísta e deixou a mota tentar chegar lá encima sozinha. Valeu-lhe o gesto, a malta cá debaixo gostou.
Eu preferi nem tentar, pois o pneu de trás estava careca e a única maneira de ter algum sucesso de chegar lá encima era ganhar balanço a direito num autêntico mar de regos de jipes, motas e afins em todas as direcções que faziam a mota saltar por tudo quanto era lado.
Posto isto, era hora de voltar ao parque de campismo.
Em resumo, adorei o passeio e recomenda-se!
Recomenda-se igualmente aos menos experientes nestas andanças prepararem-se bem fisicamente e espiritualmente para aguentar com o esforço físico, que é constantemente ir a aguentar o guiador, a corrigir os desequilíbrios com as pernas e a frequentemente desatascar a mota e/ou levantá-la.
Quanto às montadas, apesar de ser um dos poucos com uma trail (face à grande maioria de cabras e afins), confesso que apesar do peso da mota não ajudar, consegui curtir à mesma o passeio e desfrutá-lo. Sei que não andava tão depressa como algumas cabras, mas penso que o andar neste tipo de terrenos com uma mota pesada tem-me ajudado muito a progredir.
Com tanto mau trato que lhe dei, com vários tombos que levou, a mota tem-se aguentado de forma excelente; ainda não partiu piscas sequer e as únicas marcas são alguns ligeiros arranhões laterais nas carenagens. Além disso, no regresso ao parque no sábado, enquanto a malta das cabras/pseudo-cabras que voltou por estrada ia cheia de frio, eu ia protegido do frio atrás do para-brisas da mota e com as mãos quentinhas graças aos punhos aquecidos.
Como se diz na minha terra, grande mota moss!!! Vivam as trails!!!
Posto isto, cá vão mais umas fotos:
A entreajuda típica da malta! Espectáculo!

O power ranger que nos acompanhou, com o seu relógio mágico que lhe permite transformar-se quando é necessário:

A nova montada do Paulo Big, e com a qual ainda tive a sorte de dar uma voltinha:

A malta no parque de estacionamento, a partir do qual as verdadeiras dificuldades começaram:

A areia era mais que muita e prendia-se em todo o lado


O caminho por onde andámos a seguir ao parque de estacionamento
