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Robson Jaborá/SC
Aventureiro
Registado: 08 mai 2009 20:46 Mensagens: 518 Localização: Jaborá/SC/Brasil
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 Re: Argentina e Chile - Dezembro/2009
Amigos,
Hoje finalmente foi o dia em que atravessamos a Cordilheira para chegar em San Pedro de Atacama.
Acordamos cedo (como de costume) e arrumamos as coisas na moto, com o tempo parece que começa a faltar coisas, pois vai se arrumando cada vez mais rápido e melhor a roupa nos baús, sobrando, desta forma, espaço.
Procuramos o posto, que por incrível que parece não tinha telhado, também, não deve chover muito por ali mesmo, hehehe.
Nosso primeiro interesse do dia era conhecer o Viaduto La Polvorilla, um viaduto de trem bem alto que está no caminho do Paso Sico, caminho nosso para San Pedro de Atacama.
Rodamos até a entrada e seguimos até o viaduto, tirando algumas fotos, na volta, a Aline sentiu falta da necessaire, não pela escova de dentes e tal, mas sim pelos mais de R$ 1.000,00 que estavam dentro, então o Marco voltou até o hotel para pegar, demos para ele 20 minutos, senão voltaríamos para pegá-lo. Por sorte ele foi e voltou bem, comprando um pequeno terreno numa manobrada da moto (é o que ele diz).
Quando o Marco chegou recomeçamos a rota com sentido a San Pedro, a estrada parecia bem boa, o que nos ajudou a andar mais e aproveitar melhor.
Essa sorte não durou muito, pois a estrada virou um inferno, claro, bem melhor do que a Ruta 40, mas como estávamos assustados, qualquer coisa já era motivo para se estressar.
A estrada foi ruim assim até a fronteira Fitosanitária do Chile, por incrível que pareça, o Chile não utiliza inseticidas nas plantas para combater bichos, então, não se pode entrar com nenhuma comida e eles revistam tudo, para garantir que não tenhamos frutas, e/ou queijo e salame, como bons italianos.
Voltando a estrada, realmente, tem centenas de quilometros com aquelas costelas, aqui no Brasil nós vemos elas antes das lombadas, normalmente umas 5 ou mais, para "acordar" o motoristas, imaginem rodar 300 km desse jeito, chega uma hora que você não sabe mais se os olhos ainda estão pendurados na cara, ou se o cérebro ainda está grudado no crânio.
Tem que andar numa velocidade razoável, pois senão a moto começa a perder o controle e fica difícil de pilotar, além de que fica pulando igual cavalo de rodeio, então, instintivamente, em momentos que você pressente que vai cair, reduz a velocidade, piorando ainda mais a estabilidade da moto, o jeito é acelerar mesmo, hehehe.
Fiz algumas destas quando não aguentava mais, enrolando mesmo o cabo, a moto andava só na "crista" das costelas, mas também, rezando muito para que não teve um pane e eu caísse naquela velocidade, por sorte, todos os anjos da guarda estavam trabalhando muito na Cordilheira, mesmo sem oxigênio.
Outro ponto a se comentar é a falta de oxigênio, nenhum integrante da turma teve problemas sérios na altitude, mas ela fica incomodando, até que se está rodando está normal, mas se parar, dá uma tontura, você vai ficando grogue, parece que está bêbado, hehhe.
Enfim, tem que andar para não se estressar.
Rodamos na estrada de chão até a cidade de Socaire, no Chile, dali em diante cortamos o Deserto de Atacama num asfaltão que parecia não ter fim. Então, alternamos muito estradas ruins, com péssimas, bolsões de areia, os mesmos que o Massarolo caiu e fomos em frente, sem medo.
Quando a estrada ficou boa, relaxamos mais, afinal, merecíamos uma chance também né?
Chegamos no asfalto e rodamos até San Pedro de Atacama, sempre com vento contra, e que vento, chega a doer os braços.
Ali, fizémos nossos trâmites de fronteira, mais rápido pois o demorado era o Fitosanitário que já havíamos feito no Paso Sico.
Quando chegamos, todos empoeirados, e passamos pelas fases da migração e aduana, dizendo que tínhamos vindo pelo Sico, o pessoal na aduana se espantava, refazendo a pergunta: "- Pelo Sico? Nossa! Que coragem!". Fiquei pensando se estavam nos sacaneando ou realmente achavam isso.
Vale comentar que todos, excepcionalmente todos os oficiais do Chile são muito cordiais e atenciosos, contam piadas, brincam, fazem o trabalho e não parecem estar sofrendo para fazer isso.
Um inclusive até brincou: "Brasileiros? Sim, respondi. E ele: De moto né?" E riu muito com os outros vendo nossa condição terrível de pó na roupa.
Fizémos os trâmites e fomos procurar o Residencial Don Raul, muitas vezes indicado por amigos Brasileiros de fóruns motociclisticos.
Tomamos banho, tentamos arrumar o que dava das roupas, jantamos, sem cerveja, mas conseguimos um vinho por baixo do pano (o Residencial não tem alvará para venda de bebidas) e fomos dormir, exaustos.
Logo vem mais.
Dados do dia: Km rodada: 376,3 km; Velocidade máxima: 94 km/h; Velocidade média: 47,5 km/h Velocidade média geral: 40,7 km/h; Altitude máxima: 4.551 metros; Altitude mínima: 2.375 metros; Altitude inicial: 3.713 metros; Altitude final: 2.433 metros.
_________________ ---------------------------------------- Robson Giovanni Parisoto. ----------------------------------------- Jaborá, SC - Brasil GPS: 27° 10.445' S 51° 44.107' W
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